Entre Novembro e Dezembro de 2006 foi realizado, pela ABIC, o Inquérito
Nacional aos Jovens Investigadores (INJI); em 2007, entre Maio e Junho,
teve lugar o Inquérito Sobre Critérios de Avaliação de Candidaturas a
Bolsas da FCT (ICACB).
No passado também os núcleos de bolseiros de
Aveiro e
Minho realizaram inquéritos locais. Se possível, contamos vir a ter essa informação também neste espaço.
Com o INJI, a ABIC pretendeu recensear o universo dos bolseiros –
sobretudo os que se encontram integrados no Sistema Científico e
Tecnológico Nacional (SCTN), mas também os que se encontram a
desenvolver investigação no estrangeiro com bolsas da FCT – e aferir as
suas condições de trabalho, a sua formação, bem como determinar o grau
de satisfação dos bolseiros com a ‘condição de bolseiro’. O INJI contou
com mais de 1200 participantes, 50% dos quais entre os 26 e os 30 anos,
sendo 817 do sexo feminino e 458 do sexo masculino.
Alguns dados interessantes do INJI relativamente aos 1275 respondentes:
- 64% dos bolseiros são do sexo feminino;
- 49% têm entre 26 e 30 anos (21% entre 20 e 25 anos e 24% entre 31 e 35);
- 43% são da zona de Lisboa e Setúbal;
- 54% residem na zona de Lisboa e Setúbal;
- 85% não têm filhos;
- 59% são licenciados (24% são mestres e 17% são doutorados);
- 25% são bolseiros há mais de 5 anos;
- 44% são bolseiros de doutoramento;
- 76% têm bolsa nacional (19% têm bolsa mista e 5% têm bolsa no estrangeiro);
- 77% escolheram a opção de seguir um percurso de investigação;
- 44% contam concorrer a bolsa novamente;
- 65% não concorda com os valores das bolsas;
- 59% usufrui do Seguro Social Voluntário;
- 76% são bolseiros da FCT;
- 48% nunca usufruíram do subsídio de viagem;
- 89% não têm actividades para além da bolsa;
- 81% manifestam-se insatisfeitos ou pouco satisfeitos com o Estatuto do Bolseiro de Investigação;
- 35% crêem que não deveria existir qualquer regime de exclusividade;
- 56% aspiram integrar a Carreira de Investigação Científica.
Com o ICACB, procurou-se perceber quais as formas de avaliação que
os bolseiros consideram mais justas, quais as práticas que devem ser
incentivadas e quais as que deverão ser eliminadas do processo de
avaliação de candidaturas a bolsas da FCT. Pretende-se, neste momento,
que este inquérito contribua para a elaboração de uma proposta a
apresentar à tutela sobre os ‘melhores critérios e procedimentos’ a
utilizar nos concursos para atribuição de bolsas da FCT. O ICACB contou
com 590 participantes.
Alguns dados interessantes do ICACB relativamente aos 590 respondentes:
- 85% já foram candidatos a bolsas da FCT;
- 56% concordam com os factores de ponderação 5 (mérito do
candidato), 3 (mérito do programa de trabalhos) e 2 (mérito das
condições de acolhimento);
- 43% consideram que a formação dos avaliadores é insuficiente para abranger todos os conteúdos do painel;
- 57% consideram que a rotatividade nos painéis de avaliação deve ser assegurada por sorteio;
- 87% concordam com a inclusão de avaliadores externos internacionais nos painéis de avaliação;
- 93% concordam com a inclusão de um observador externo nos painéis de avaliação;
- 65% consideram que o observador externo deveria ser um investigador estrangeiro de mérito reconhecido na área;
- 66% consideram que as classificações e respectivas justificações
apresentadas nas fichas de avaliação não são claras e coerentes;
- 94% discordam da aprovação dos candidatos a bolsas de
doutoramento com média de licenciatura superior a 17 valores, sem ser
necessária avaliação do plano de trabalhos e condições de acolhimento;
- 65% consideram que deve ser tido em consideração o factor de
impacto da revista, nas publicações em revistas com arbitragem
científica;
- 59% consideram que a posição do candidato na ordem das autorias deve ser tida em consideração;
- 87% consideram que os orientadores propostos numa candidatura devem ser avaliados;
- 87% consideram que deverão ser estabelecidos critérios de
classificação do plano de trabalho, uma vez que os mesmos não se
encontram definidos no guião de avaliação em vigor;
- 88% concordam com a obrigatoriedade do preenchimento de uma grelha de critérios de avaliação do plano de trabalho;
Uma vez que esta é uma linha de acção que a ABIC pretende reforçar
no futuro (quer através do desenvolvimento de novos inquéritos, quer
através da integração de inquéritos levados a cabo pelo núcleos
regionais da ABIC ou mesmo inquéritos e dados de bolseiros que possam
ser relevantes para a comunidade dos bolseiros em geral), foi criado este sítio web exclusivamente dedicado aos inquéritos da ABIC.
Este sítio passará a ser o local onde se agregará toda a informação
relativa aos inquéritos da ABIC, bem como toda a informação estatística
que seja significativa para a comunidade dos bolseiros. Neste momento o
website apresenta um cronograma que traduz a evolução dos dois
inquéritos, as perguntas que integraram cada um dos inquéritos, bem
como uma secção de resultados onde é possível encontrar, para já,
apenas os resultados preliminares do INJI e do ICACB. Ambos os
inquéritos estão, neste momento, em fase de análise de dados.